Índio é nós: não somos um grupo, somos vários, unidos na resistência contra os ataques às terras e às vidas dos índios no Brasil. Nesta página, pode-se ver a agenda dos eventos programados, no Brasil e no exterior, em prol dos povos indígenas, para abril de 2014, cinquentenário do golpe militar, bem como diversas informações sobre estes povos. Contato: indio.eh.nos@gmail.com
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October 2014

“Menos um”, de Veronica Stigger, na Trienal de Artes “Frestas”

23 October, 2014 @ 9:00 - 1 February, 2015 @ 18:30
SESC Sorocaba, Rua Barão de Piratininga, 555 - Jd. Faculdade
Sorocaba, São Paulo Brazil
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Menos um Entre 2003 e 2013, 616 indígenas foram assassinados no Brasil. Só no ano passado, foram contabilizados 53 assassinatos de índios, sendo 33 apenas no Mato Grosso do Sul – o que representa 62% do total do país. É o estado com o maior número de registros de violações aos direitos das populações indígenas. Também em Mato Grosso do Sul, igualmente em 2013, foram registrados 73 suicídios entre índios, sendo 72 deles da etnia Guarani-Kaiowá – uma média de…

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November 2014

“Índios Munduruku: Tecendo a Resistência”, documentário de Nayana Fernandez , em Índio é Nós

18 November, 2014 @ 21:00 - 6 January, 2015 @ 23:55

"Índios Munduruku: Tecendo a Resistência" from MiráPorã on Vimeo. “Índios Munduruku: Tecendo a Resistência” é lançado em ritmo Amazônico O tempo em várias comunidades da Amazônia segue uma lógica diferente quando comparado aos grandes centros urbanos do resto do Brasil. Na língua Munduruku, por exemplo, o mais próximo da divisão de horas ao longo do dia são as palavras Kabiá, Wuykat e Kabiun, que traduzindo seria manhã, tarde e noite. Devido a importantes alterações de última hora e seguindo a…

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March 2015

Formação do Comitê Paulista de Apoio à Luta pelo Tapajós: 14/03

14 March, 2015 @ 20:00 - 22:00
Casa Mafalda, Rua Clélia 1895
São Paulo, SP Brazil
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Está em processo de formação o Comitê Paulista de Apoio à Luta pelo Tapajós, que convida todos para um evento no dia 14 de março de março, um sábado, às 20 horas, na Casa Mafalda (Rua Clélia, 1895, São Paulo-SP). Haverá projeções de vídeos, bate-papo com especialistas e festa para arrecadação de fundos. Os Mundurukus estão sendo ameaçados pelos projetos governamentais de barragens do Rio Tapajós, embora sejam inconstitucionais, tendo em vista a presença de terras indígenas no local, que…

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Cineclube Projetação da Mulher: Tecendo a Resistência, de Nayana Fernandez

24 March, 2015 @ 20:00 - 21:00
Praça São Salvador, Praça São Salvador
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro 222311130 Brazil
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O notável filme Tecendo a Resistência, lançado em Índio é Nós, sobre a luta dos Mundurukus contra os projetos inconstitucionais de barragens na Amazônia, terá nova exibição pública no Rio de Janeiro: No mês da mulher e quando se comemora o dia mundial da água, vamos nos reunir para assistir ao filme Índios Munduruku: Tecendo a Resistência. Em seguida, debate aberto com a presença da diretora Naya Porã, da antropóloga Daniela Fernandes Alarcon, que já esteve com as comunides ribeirinhas…

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Lançamento do livro Baré: Povo do Rio, com exibição do documentário, 31/03 no SESC Pompeia

31 March, 2015 @ 18:00 - 20:00
SESC Pompeia, Choperia, Rua Clélia, 93
São Paulo, São Paulo Brazil
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Em edição do SESC São Paulo, é lançado Baré: Povo do Rio, com organização da indigenista e coordenadora do programa Diversidade Cultural, na Gerência de Programas Socioeducativos do Sesc São Paulo, Marina Herrero, e pelo indigenista e biólogo Ulysses Fernandes. O livro reúne artigos de Beto Ricardo, Bráz França Baré, Eduardo Góes Neves, Eduardo Viveiros de Castro, Guillermo David, Marivelton Barroso Baré, Paulo Maia Figueiredo e Pisco del Gaiso. Na ocasião haverá exibição do documentário homônimo realizado pelo Sesc TV (63 min.), na…

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April 2015

Evento do Comitê Paulista de Apoio à Luta pelo Tapajós: Debate, cinema e música

17 April, 2015 @ 20:00
Serralheria, Rua Guaicurus. 857
São Paulo, SP 05033-001 Brazil
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$20,00

Aproveitando o contexto da Semana da Mobilização Nacional Indígena (https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/), o Comitê Paulista de apoio a Luta no Tapajós realiza seu segundo evento para apoiar as ações de articulação das comunidades do Rio Tapajós frente aos projetos destrutivos de implantação de nove usinas hidrelétricas na região. _______ EVENTO 20h - Roda de conversa sobre impactos de grandes obras na Amazônia, alternativas e iniciativas de resistência. Apresentação do Comitê "Contexto socioambiental do rio Tapajós" - Tiago Vekho (ISA) “Desafios aos direitos…

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Lançamento do documentário Baré: Povo do Rio, no SescTV, 19/04

19 April, 2015 @ 22:30

  Documentário inédito Baré: povo do rio, dirigido por Tatiana Toffoli, narra a cultura, crenças, ritos ancestrais e lendas dos Barés, revelando aspectos dessa etnia que vive ao longo do Rio Xié e alto curso do Rio Negro, no Noroeste da Amazônia. Com duração de 63’, o filme estreia no dia 19/04, domingo, às 22h30, no SescTV e integra projeto realizado pelo Sesc São Paulo, que também é composto por um livro homônimo lançado em 31 de março deste ano.…

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May 2015

Menos um (Segunda volta à cena do crime: Oswald de Andrade), de Veronica Stigger

14 May, 2015 @ 19:00 - 11 July, 2015 @ 19:00
Oficina Cultural Oswald de Andrade, Rua Três Rios, 363
São Paulo, São Paulo Brazil
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Veronica Stigger. Foto: Eduardo Sterzi No âmbito da exposição coletiva Frente à Euforia/Frente a la Euforia, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, será exibida em nova configuração a instalação "Menos um (Segundo volta à cena do crime: Oswald de Andrade)", da escritora, crítica de arte e artista plástica Veronica Stigger. A exposição, que reúne artistas colombianos e brasileiros, será inaugurada no dia 14 de maio, às 19 horas, e conta com a curadoria de Fábio Zuker, Isabella Rjeille…

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A situação das aldeias indígenas da cidade de São Paulo

19 May, 2015 @ 18:00 - 20:00
Câmara Municipal, Viaduto Jacareí, 100 - 1º andar - Sala Prestes Maia
São Paulo, São Paulo Brazil
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Com: • Eduardo Suplicy (Secretário municipal de direitos humanos) • David (Liderança da Aldeia Jaraguá) • Jera (Liderança da Aldeia Parelheiros) • Toninho Vespoli (Vereador do PSOL/SP) • Maria Ines Ladeira (Antropóloga, coordenadora do Centro de Trabalho Indigenista)  

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October 2015

Próximas exibições de Índios no Poder, novo filme de Rodrigo Arajeju

25 October, 2015 @ 8:00 - 17 December, 2015 @ 17:00

  Mario Juruna, único índio parlamentar na história do país, não consegue se reeleger para a Constituinte (1987/88). Sem representante no Congresso Nacional desde a redemocratização, as Nações Indígenas sofrem ataques aos seus direitos constitucionais pela Bancada Ruralista. O cacique Ládio Veron lança candidatura a deputado federal nas Eleições 2014, sob ameaças do Agronegócio. Contra a PEC 215, seu slogan de campanha é "Terra, Vida, Justiça e Demarcação". Próximas exibições do novo filme de Rodrigo Arajeju e sua equipe, Índios…

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November 2015

Seminário Direitos dos Povos Indígenas em disputa no STF

10 November, 2015 @ 14:00 - 18:00
Faculdade de Direito da USP, Largo São Francisco, 95
São Paulo, São Paulo 01005-010
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Disputa sobre terras indígenas no STF é tema de seminário na USP Seminário “Direitos dos povos indígenas em disputa no STF”, que acontece no dia 10 de novembro na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da USP (FD/USP), em São Paulo (SP) reunirá lideranças indígenas, antropólogos e juristas.   Desde setembro de 2014, três terras indígenas já tiveram suas demarcações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal e outras várias estão nas mãos dos ministros da Corte. Essas decisões, que partiram…

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May 2016

A destruição do Rio Doce: tuitaço 6 Meses de Mariana, 5 de maio

5 May, 2016 @ 15:30 - 18:00

  Este tuitaço foi sugerido pelo Greenpeace. Persiste a impunidade em relação aos imensos danos ambientais causados pelo rompimento da barragem da empresa Samarco, na cidade de Mariana, em Minas Gerais. O comprometimento da Bacia do Rio Doce afetou os povos indígenas da região. O povo Krenak perdeu uma fonte de água, e tiveram de bloquear uma ferrovia da empresa para conseguirem receber água mineral da Vale (a antiga Vale do Rio Doce, que não só apagou o rio do…

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Menos um

Entre 2003 e 2013, 616 indígenas foram assassinados no Brasil. Só no ano passado, foram contabilizados 53 assassinatos de índios, sendo 33 apenas no Mato Grosso do Sul – o que representa 62% do total do país. É o estado com o maior número de registros de violações aos direitos das populações indígenas. Também em Mato Grosso do Sul, igualmente em 2013, foram registrados 73 suicídios entre índios, sendo 72 deles da etnia Guarani-Kaiowá – uma média de um suicídio a cada 5 dias, o maior número em 28 anos. Estes altos índices se devem, em grande medida, às disputas pela posse da terra decorrentes da morosidade do governo federal na demarcação de áreas indígenas. O atual governo é o que menos demarcou terras indígenas nas últimas décadas: uma média de 3,6 áreas por ano. Em 2013, a situação se agravou: somente uma terra indígena foi homologada pela presidência da República em todo o país.

Menos um pretende ser um instantâneo e uma denúncia desta violência contra os primeiros habitantes do que veio a se tornar o Brasil. O trabalho aqui apresentado sobrepõe imagens de índios assassinados e suicidados, todas elas extraídas de reportagens encontradas na internet, a frases retiradas das caixas de comentários dos mesmos textos. A frase mais repetida pelos comentaristas é exatamente “Menos um”. Nas frases recolhidas, ficam patentes o ódio e o preconceito que parte da população brasileira dirige às populações tradicionais da terra – um ódio que vem sendo fomentado criminosamente tanto por alguns veículos de comunicação, como a revista semanal de maior circulação no Brasil, quanto por parlamentares da bancada ruralista. É do deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS) a única frase presente neste trabalho que não foi retirada das caixas de comentários. Trata-se de uma exortação a uma milícia contratada para matar índios: “Se fartem de guerreiros e / não deixem um vigarista desses / dar um passo na sua propriedade”.

Dados: Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2013. Disponível em:http://cimi.org.br/pub/RelatorioViolencia_dados_2013.pdf

 

Vídeo do trabalho, por Eduardo Sterzi: http://vimeo.com/109899990

 

Sesc Sorocaba
Rua Barão de Piratininga, 555 – Jd. Faculdade. Sorocaba/SP
(15) 3332-9930 | (15) 3332-9931 | (15) 3332-9933
De terça a sexta, das 9h às 21h30 com permanência até 22h; e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30 com permanência até 19h

Atenção: Este link tem caráter meramente informativo. Sempre cheque as informações sobre os espetáculos, que podem ter sido alteradas, com os seus respectivos organizadores.

 

“Índios Munduruku: Tecendo a Resistência” [COMPLETO] from MiráPorã on Vimeo.

“Índios Munduruku: Tecendo a Resistência” é lançado em ritmo Amazônico

O tempo em várias comunidades da Amazônia segue uma lógica diferente quando comparado aos grandes centros urbanos do resto do Brasil. Na língua Munduruku, por exemplo, o mais próximo da divisão de horas ao longo do dia são as palavras Kabiá, Wuykat e Kabiun, que traduzindo seria manhã, tarde e noite.

Devido a importantes alterações de última hora e seguindo a dinâmica da Amazônia, o documentário de Nayana Fernandez  “Índios Munduruku: Tecendo a Resistência” pegou um rabetinha (barco de madeira típico da região), se atrasou, e foi lançado apenas hoje (18) no Brasil.

A demora de um dia – que para o ritmo frenético das cidades pode ser uma eternidade – foi por uma boa causa. A produção de Índios Munduruku: Tecendo a Resistência acaba fechar uma aliança com o movimento Munduruku Apereg Ayu.

Trata-se de uma colaboração entre a produção do documentário, das guerreiras e guerreiros Munduruku, além de colaboradores locais, como o coletivo Amazônia em Chamas, que se uniram na busca de fortalecer as ações do povo Munduruku ao longo do rio Tapajós e seus afluentes.

Essa colaboração, que será lançada bastante em breve em uma campanha de financiamento coletivo, tem algumas metas:

– Apoiar a comunicação do progresso de resistência dos Munduruku;

– Legalização de uma associação;

– Distribuição, tradução e dublagem do documentário para a língua Munduruku;

– Apoiar diretamente o processo de autodemarcação das terras Munduruku na região do Médio Tapajós.

Contatamos com o apoio de vocês, e agora, sem mais demora, apresentamos aqui o documentário na integra:

https://vimeo.com/112160970

Este vídeo foi produzido de maneira independente, com apoio de algumas organizações da Inglaterra, lideranças Munduruku e seus apoiadores locais. “Índios Munduruku: Tecendo a Resistência” pode ser baixado gratuitamente do link acima.

 

Ele também será lançado, em inglês, no portal do Latin American Bureau: http://lab.org.uk/brazil-‘the-munduruku-indians-weaving-resistance’-–-online-release

 

 

Entrevista da diretora Nayana Fernandez a Índio é Nós:

 

Índio é Nós – Como nasceu sua ideia de engajamento por meio do cinema e do vídeo?

Nayana Fernandez – O formato audiovisual sempre me pareceu uma poderosíssima ferramenta. Foi na Inglaterra, o berço da revolução industrial, que obtive toda instrução técnica e acadêmica nessa área. E apesar de morar em uma das sociedades consideradas “mais privilegiadas” do mundo, nunca me senti orgulhosa disso. Sempre carreguei um nível de desconforto. Era consciente de que muitos povos e todo o planeta pagaram e ainda pagam caro por esse privilégio de algumas nações. De certo modo me sentia responsável em usar das regalias e oportunidades de morar lá, para contribuir positivamente com alguma dessas ‘feridas do mundo’. Dessa forma, acabei traçando um percurso que ampliasse meu entendimento da dinâmica política, social e ambiental da nossa civilização, e que eventualmente ajudasse outras pessoas a refletir sobre isso.
Então, depois de finalizar meus estudos e através da minha colaboração no portal do Latin America Bureau (LAB) de Londres, me dediquei a entrar em contato com diferentes grupos que estão diretamente ou indiretamente envolvidos na busca de justiça e dignidade dos povos latino-americanos. A partir desse trabalho, tive a oportunidade de viajar para a Amazônia e, em colaboração com a jornalista Sue Branford, desenvolver material em vídeo sobre os problemas que algumas comunidades da floresta enfrentam hoje no estado do Pará.  O caso dos Munduruku em especifico, já me havia tocado de maneira especial, entretanto, quando em colaboração com alguns estudiosos da região do Tapajós, publicamos uma matéria em inglês sobre o assassinato do Adenilson Kirixi no site do LAB (leia aqui), ocasião em que tive acesso às imagens gravadas do ataque da Força Nacional e do corpo baleado do jovem guerreiro.
Apesar de não ter uma lista longa de vídeos com esse perfil, tento de diferentes formas dar voz a pessoas e grupos que são constantemente silenciados dentro da lógica da sociedade ocidental. Vídeo, no entanto, tem sido a maneira mais efetiva que encontrei.

IEN – Que dificuldades encontrou para realizar esta filmagem? Como os Mundurukus cooperaram?

NF – Provavelmente a maior dificuldade tenha sido a de não ter programado o documentário que está sendo lançado no dia 17 agora.  Inicialmente, o plano era o de apenas produzir alguns vídeos curtos para o site do LAB e para outras plataformas – como foi o caso da BBC de Londres. Então, o documentário em si não foi uma ideia programada e acabei executando as filmagens em duas partes. Uma em setembro de 2013 e outra em fevereiro desse ano.
Durante a primeira viagem, não apenas estivemos com os índios Munduruku, mas também estivemos em uma comunidade de garimpeiros no rio Pacu, afluente do Tapajós, e com comunidades quilombolas no rio Trombetas. O plano era acompanhar a jornalista inglesa Sue Branford e produzir vídeos curtos com ângulo jornalístico sobre os impactos dos “grandes projetos de desenvolvimento” do governo brasileiro nas comunidades locais. Focando no processo de registro de imagens para este projeto, além das incertezas de se alcançaríamos as nossas metas, já que pouco estava agendado ou confirmado, um dos maiores desafios dessa primeira etapa das filmagens foi o lidar com os momentos de tensão.
Por exemplo, logo de entrada, em uma de nossas paradas a caminho de Jacareacanga, no Km 180 da rodovia Transamazônica, encontramos um grupo de biólogos escoltados por agentes da Força Nacional e de segurança fortemente armados. Os pesquisadores estavam trabalhando na região sem o consentimento dos indígenas e ribeirinhos para desenvolver os estudos de impacto ambiental. E já que seu trabalho é fundamental para que o plano das hidrelétricas seja realizado, sem dúvidas eles eram conscientes de que sua presença acompanhada de homens armados era parte de uma ação intimidatória. Não se deveria estranhar que uma jornalista se aproximasse em busca de diálogo. Mas lamentavelmente, o chefe do grupo de estudos não apenas negou que os membros de sua equipe dessem qualquer informação a Sue Branford, como também foi hostilizada por ele (leia mais no blog do Cândido Neto).
Bastante perplexos, seguimos viagem nos perguntando: se uma jornalista inglesa, profissional renomada e com décadas de experiência, é tratada dessa maneira em um local público, como seria então o trato com os habitantes das comunidades locais?
Chegando a Jacareacanga encontramos com algumas lideranças Munduruku, e entre as metas que queríamos cumprir também na comunidade de garimpeiros (veja o vídeo aqui), que ficava razoavelmente próxima de lá, conseguimos agendar apenas duas entrevistas com as guerreiras Maria Leusa Kaba Munduruku e Rosenilda Bõrõ Munduruku, e com o Jairo Saw, em uma breve visita à aldeia de Boca das Tropas. Levando em consideração o perfil do trabalho que estávamos fazendo, e com recursos limitados, como foi o nosso caso, a filmagem teve que ser levada de forma bastante flexível. Era uma vitória quando programávamos uma entrevista e conseguíamos gravá-la no dia e momento esperados. Depois de uma semana tivemos que seguir viagem em direção ao rio Trombetas. Até então, as duas entrevistas e algumas imagens da aldeia haviam sido todo o material que eu havia filmado com os Munduruku.
Semanas mais tarde, já em Santarém e a pouquíssimos dias de voltar para São Paulo, soubemos que a “audiência pública” promovida pelo Ibama para o licenciamento da UH São Manoel, prevista para o rio Teles Pires, na divisa entre os estados de Mato Grosso e Pará, estava agendada para ocorrer nos próximos dias, em Jacareacanga. Não tínhamos fundos para voar e o tempo estava extremamente curto tanto para alcançar o inicio da audiência, como para voltar a Santarém e pegar o voo para São Paulo. Como se não bastasse, o Ministério Público Federal havia pleiteado a suspensão do evento até a conclusão dos estudos de impacto sobre os indígenas. Mas sabíamos que havia grandes chances de que o evento não fosse suspenso, já que as obras têm sido a prioridade.
Se, por um lado, o cancelamento do evento seria algo obviamente positivo para os Munduruku e habitantes locais, por outro, se ocorresse seria um importante momento para ser registrado, e que serviria de prova de como as audiências são feitas. Tendo em mente as todas as dificuldades, e tamanha chance de que algo saísse fora do esquema, qualquer pessoa em sã consciência não arriscaria. Não foi o nosso caso. Decidimos enfrentar mais uma vez as longas estradas e incertezas. E não foi em vão. (mais informações sobre o que presenciamos na audiência pública aqui).
Ainda no Brasil e frente a outras oportunidades de voltar para a região, decido me comprometer no desenvolvimento de algo mais longo para contar esta história de violações e de resistência que o povo Munduruku vem enfrentando. Depois de 3 semanas convivendo com algumas comunidades no rio Cururu a convite do linguista francês Pierre Pica, alcanço todo o material para montar o corte que apresento agora na próxima segunda-feira, dia 17.
Talvez não tanto uma dificuldade, mas sem dúvidas um desafio, foi a minha limitação em relação às tradições e ao modo de vida dos Munduruku. Em termos de cooperação com os indígenas, a convivência e comunicação foi crucial para contar sua história. Durante ambas as viagens, fui recebida com cautela. Mas depois de os grupos dos quais nos aproximamos confiarem no trabalho e na intenção de como o que estava sendo captado seria usado, eles manifestaram concordância. Nesse processo, a colaboração de pessoas não indígenas que já vêm apoiando esses grupos também foi muito importante. Com permissão dos indígenas, por exemplo, tivemos acesso às imagens gravadas por eles próprios com seus aparelhos celulares durante o trágico ataque da Força Nacional na aldeia Teles Pires em 2012. Incluídas as fortíssimas imagens do corpo baleado de Adenilson Kirixi Munduruku.
Apesar do leque de incertezas, limitações, e considerando que este é o meu primeiro projeto de documentário, estou satisfeita com o resultado. Desde Londres, durante todo o processo de pós-produção, mantive o dialogo com alguns dos guerreiros e guerreiras Munduruku e muitos de seus apoiadores. É imensamente gratificante, cada vez que conversamos por telefone ou via internet, e sentir que essa aliança tão humana continua forte, mesmo estando geograficamente distantes.

IEN – Como foi a reação das plateias estrangeiras que já viram o filme?

NF – Em todas as mostras em que estive presente, duas em Londres e duas em Berlim, me pareceram bastante fortes. Não é nada fácil chegar em uma sala cheia e mostrar as mazelas de povos distantes. Claramente, por causa do tema tratado, a história não é das que o público facilmente aprecia. E, apesar de trazer uma mensagem intrinsecamente humana, tampouco é tão fácil de assimilar seus porquês. Muito menos para o público europeu, distante dessa realidade. Não que para um paulista, por exemplo, seja muito mais próxima a realidade amazônica, ou a de um Munduruku. Mas certamente estamos mais familiarizados com o panorama político e social do Brasil.
Lá fora, percebi que as pessoas ficam perplexas, indignadas, mas majoritariamente com muito respeito a resistência Munduruku e com vontade de apoiar. Em uma das mostras de Londres, tivemos a participação das jornalistas Sue Branford e da Jan Rocha no painel de discussão. Foi uma troca muito boa com o público, um processo educativo mesmo. Em todas as mostras, as perguntas variaram desde os ‘porquês’ até ‘como podemos ajudar’. Pude comprovar que muitos se identificam de alguma maneira ou de outra com a luta e a dor do povo Munduruku. Que se houvesse caminhos em que as pessoas pudessem ajudar a fortalecer essa luta, eles o fariam. Uma garota em Berlim usou o exemplo do café das cooperativas Zapatistas, afirmando que dessa maneira ela colaborava desde a Alemanha com aquela luta no seu dia a dia, e me perguntou se havia alguma maneira parecida na qual ela pudesse ajudar. Outras pessoas perguntaram se existiam empresas europeias que estavam envolvidas no processo da construção das barragens, e que se tivessem acesso a essa lista eles poderiam ajudar organizando manifestações e campanhas de boicote por lá.
Muitas pessoas que já assistiram o vídeo se tornaram fiéis seguidores de nossas redes sociais, acompanhando e compartilhando as notícias da luta Munduruku nas páginas do facebook e twitter. Muitos deles se ofereceram para mostrar o vídeo em suas universidades e bairros. Tive uma  sensação positiva de que existem boas possibilidades para ampliar a consciência de muitas mais pessoas com a projeção do video, somente espero que assim ajude fortalecer a luta dos Munduruku.

IEN – Quais são suas expectativas para esta luta dos Mundurukus – e do Brasil?

NF – É muito difícil vislumbrar o que será da luta dos Munduruku. Por um lado, existem todas as dificuldades internas, derivadas majoritariamente do aprender a lidar com as estruturas de funcionamento do ‘nosso mundo’ e de toda a falta de infraestrutura para executar suas articulações ou as questões legais desse processo de luta. E do outro lado, está o sistema político e econômico em que vivemos, e que lhes é imposto, do qual o governo brasileiro participa ativamente. Exemplo disso são as políticas de desenvolvimento implementadas pela presidente Dilma, que além de outros projetos, busca a industrialização da floresta Amazônica. Portanto, está claro que a luta dos Munduruku não é, nem será fácil. Se trata da sobrevivência não apenas de um povo, mas de vários. Incluídos todos nós, talvez não tão a longo prazo.
Todo esse trabalho, o documentário, os artigos, e vídeo para a BBC, têm sido tentativas de contribuir especialmente para a luta dos Munduruku, mas também de levantar a reflexão do que é e para onde caminha a civilização ocidental. Do mesmo modo como o público estrangeiro tem reagido, espero que aqui no Brasil esse trabalho tenha força para mobilizar o sentimento de indignação contra as violações que os povos da Amazônia tem sofrido, mas que ao mesmo tempo ascenda a importantíssima e tão necessária chama da solidariedade. Na minha opinião, o desdém e o abandono são inimigos tão grandes quanto as próprias estruturas opressoras.
“Índios Munduruku: Tecendo a Resistência” é um projeto feito integralmente a fruto de trabalho colaborativo e solidário. Todo o financiamento que alcançamos, que foi bastante enxuto, foi empregado nos gastos de viagem. Através de outros trabalhos que desenvolvi, também ligados direta ou indiretamente à luta dos Munduruku, como o registro do trabalho do linguista francês Pierre Pica, o video para a BBC, e um video-clip que será lançado no primeiro trimestre do ano que vêm em parceria com a Survival International de Londres, consegui levar adiante o processo de pós-produção e promoção desse projeto.

O vídeo está programado para ser lançado online na próxima segunda-feira, dia 17 de novembro, no website do Latin America Bureau, em inglês, e no Brasil, aqui no site do Índio é Nós, em português. O projeto está registrado com a licença ‘creative commons’ para livre acesso e reprodução sem fins lucrativos, e a ideia é que sua difusão seja feita o mais amplamente possível. O desejo é que as pessoas se apropriem desse material para fazer projeções em suas escolas, universidades, centros de trabalho, bairros, e esperamos que muitas mais pessoas se unam ao povo Munduruku em luta de justiça, paz e do bem estar dos povos originários desse país. Afinal, eles são os melhores guardiões de nossas florestas, e dessa forma contribuem como ninguém a que todos nós possamos sobreviver nesse planeta.

 

Outros links:

Trailer: https://vimeo.com/106132350

Teaser: https://vimeo.com/107204872

Video para a BBC: https://vimeo.com/103713645

 

Facebook: mundurukuindians
Twitter: @mundurukubrazil

 

 

| Índios Munduruku: Tecendo a Resistência |

| Dir. Nayana Fernandez | 25min | Português e Inglês |
O governo brasileiro está planejando construir um grande número de barragens hidrelétricas nos rios da Amazônia, destruindo a biodiversidade e interrompendo o modo de vida de milhares de índios e populações locais. Agora que as obras da gigante barragem de Belo Monte, no rio Xingu, estão a todo vapor, o governo está avançando com o seu próximo grande projeto – uma série de barragens no rio Tapajós. Mas os mais de 12.000 índios Munduruku, temidos como guerreiros, vivem nessa região e estão se mobilizando.

O documentário mostra a vida em uma aldeia Munduruku, onde as tarefas tradicionais são praticadas diariamente e as crianças crescem com uma liberdade admirável. O filme documenta o crescimento de sua resistência, que de diferentes formas sempre existiu, inclusive entre as mulheres, que têm papel fundamental nessa luta, e que agora também estão se levantando como guerreiras na articulação contra as barragens hidrelétricas.

 

| Ficha técnica |

Reino Unido/Brasil, 25min
Dir.: Nayana Fernandez
Produção: Sue Branford, Mauricio Torres e Nayana Fernandez
Camera / Som: Nayana Fernandez
Edição: Nayana Fernandez e Jason Brooks
Edição de Som: Aquiles Pantaleão e Michal Kuligowski
Desenho de Som: Michal Kuligowski
Graficos: Mariana Delellis
Música: “Whispers” – Por Kushal Gaya e Jenny Sutton
Imagens adicionais: Índios Munduruku (aldeia Teles Pires), Emilio Días (aéreas), Alejo Sabugo (aldeia Restinga)

 

Está em processo de formação o Comitê Paulista de Apoio à Luta pelo Tapajós, que convida todos para um evento no dia 14 de março de março, um sábado, às 20 horas, na Casa Mafalda (Rua Clélia, 1895, São Paulo-SP).

índio é nós tapajós sp 2Haverá projeções de vídeos, bate-papo com especialistas e festa para arrecadação de fundos.

Os Mundurukus estão sendo ameaçados pelos projetos governamentais de barragens do Rio Tapajós, embora sejam inconstitucionais, tendo em vista a presença de terras indígenas no local, que são protegidas pela Constituição da República e pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos.

Como esses projetos de morte e de devastação continuam? O governo federal já demonstrou, em Belo Monte, ser completamente capaz de sacrificar a legalidade, os compromissos internacionais assumidos pelo país, bem como as vidas dos povos indígenas em nome de grandes projetos movidos por empreiteiras, cuja ética está a ser objeto de investigação criminal.

A Funai já concluiu estudo demarcatório, que não vai adiante em razão dessa aliança autoritária que governo e grandes empresas formaram contra os índios, a natureza, o direito e, enfim, contra o país. Os Mundurukus organizaram-se em resistência e iniciaram sua autodemarcação, o que é contado no filme de Nayana Fernandez, lançado por Índio é Nós, Índios Munduruku: Tecendo a Resistência.

Citamos os objetivos do Comitê:

A ideia do comitê é organizar eventos mensais em São Paulo, onde recursos com bilheteria e venda de produtos sejam destinados às ações locais de articulação das comunidades Tapajônicas. Os resultados destas ações e as formas de investimento dos recursos serão discutidos ao longo destes eventos, onde se pretende criar via tecnologias audiovisuais um espaço de aproximação entre os universos de São Paulo e o Tapajós. As formas de gestão dos recursos e definição das ações prioritárias serão definidas em processo centralizado pela associação Munduruku da TI Sawre Muybu, com apoio dos colaboradores que estão apoiando a articulação comunitária no Tapajós de forma voluntária.

Acompanhem a programação na página do Comitê no facebook: https://www.facebook.com/Tapajoslivre

O notável filme Tecendo a Resistência, lançado em Índio é Nós, sobre a luta dos Mundurukus contra os projetos inconstitucionais de barragens na Amazônia, terá nova exibição pública no Rio de Janeiro:

No mês da mulher e quando se comemora o dia mundial da água, vamos nos reunir para assistir ao filme Índios Munduruku: Tecendo a Resistência. Em seguida, debate aberto com a presença da diretora Naya Porã, da antropóloga Daniela Fernandes Alarcon, que já esteve com as comunides ribeirinhas do Tapajós e atualmente está produzindo um documentário sobre luta do povo Tupinambá para reconquistar seu território no sul da Bahia, e com Juliana Guajajara, estudante de direito, filha de pai indígena do povo Guajajara do Maranhão, e militante pelas causas indígenas em contexto urbano no Rio de Janeiro.

Atenção: Este link tem caráter meramente informativo. Sempre cheque as informações sobre os espetáculos, que podem ter sido alteradas, com os seus respectivos organizadores.

Em edição do SESC São Paulo, é lançado Baré: Povo do Rio, com organização da indigenista e coordenadora do programa Diversidade Cultural, na Gerência de Programas Socioeducativos do Sesc São Paulo, Marina Herrero, e pelo indigenista e biólogo Ulysses Fernandes.

O livro reúne artigos de Beto Ricardo, Bráz França Baré, Eduardo Góes Neves, Eduardo Viveiros de Castro, Guillermo David, Marivelton Barroso Baré, Paulo Maia Figueiredo e Pisco del Gaiso. Na ocasião haverá exibição do documentário homônimo realizado pelo Sesc TV (63 min.), na sequência um bate-papo do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro com os líderes baré Marivelton Barroso Baré e Braz França e, ao final, uma sessão de autógrafos com os principais autores do livro. O documentário será lançado em 19 de abril pelo SescTV.

Este livro apresenta cultura, os jogos e as lendas do Curupira, Juruparí e Poronominare, das comunidades da etnia Baré, localizadas próximas aos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, às margens do rio Negro no estado do Amazonas. O projeto contempla uma região com uma forte desestruturação social, que tem sofrido inúmeras pressões desde a chegada dos europeus até a mais recente invasão de garimpeiros, e que chama a atenção pela dramática taxa de suicídios entre sua população jovem. O devastador processo de aculturação implica a perda dos saberes tradicionais, a tradição oral e técnicas artísticas de grande valor, levando as populações indígenas a se sentirem desvalorizadas e negarem sua identidade indígena.

A história do povo baré, que originalmente ocupava um território de mais de 165 mil km2, foi marcada pela violência e pela exploração do trabalho extrativista. Gradativamente, o grupo viu sua língua vernacular (ariak) ser substituída pelo nheengatu, utilizado, na época da colonização do Brasil, pelos jesuítas para uniformizar a comunicação entre eles e as tribos da região do Rio Negro, e também pela língua portuguesa. Aos poucos as crenças, costumes e tradições dos baré foram igualmente adaptados ao modelo português. Hoje, o povo que até 1990 era considerado extinto no Brasil, tornou-se a décima população indígena do país e vive próximo aos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, região com uma forte desestruturação social e que sofre com a recente invasão de garimpeiros.

índio é nós baré capa

Lançamento do livro Baré: povo do rio

Data: 31 de março de 2015, às 19h

Local: Choperia do Sesc Pompeia

Retirada de ingressos a partir das 18h, na bilheteria do Sesc Pompeia.

Rua Clélia, 93 | Não dispõe de estacionamento

 

índio é nós festa comitê patajósAproveitando o contexto da Semana da Mobilização Nacional Indígena (https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/), o Comitê Paulista de apoio a Luta no Tapajós realiza seu segundo evento para apoiar as ações de articulação das comunidades do Rio Tapajós frente aos projetos destrutivos de implantação de nove usinas hidrelétricas na região.

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EVENTO

20h – Roda de conversa sobre impactos de grandes obras na Amazônia, alternativas e iniciativas de resistência.

Apresentação do Comitê
“Contexto socioambiental do rio Tapajós” – Tiago Vekho (ISA)
“Desafios aos direitos indígenas, exemplo Munduruku” – Lúcia Rangel (PUC/ Cimi)
“Netativismo e conflitualidade indígena” – Massimo Di Felice (ECA-USP)

Exibição do documentário “Índios Munduruku: Tecendo a resistência”, de Nayana Fernandez (25 min)

A partir das 22h, Roda de Samba + DJ
Paula Sanches e banda
Lê Coelho
Outras bandas a confirmar.

Entrada: R$ 20,00 (destinados às ações de articulação das comunidades do Tapajós)

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O Rio Tapajós, no Pará, é a próxima fronteira para a construção de grandes projetos hidrelétricos na Amazônia Brasileira. Após o licenciamento e construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, o governo Brasileiro projeta a construção de sete usinas ao longo dos 810 km do Rio, sendo o principal e mais avançado projeto a usina de São Luiz do Tapajós.
Apesar do acúmulo de evidências científicas da correlação entre a implantação de grandes empreendimentos e desmatamento na Amazônia, da correlação entre desmatamento e mudanças climáticas no Brasil, e do grande potencial Brasileiro de protagonismo na construção da inovação socioambiental do século XXI, o governo Brasileiro opta mais uma vez em sua história pela visão de curto prazo e pela falta de um planejamento territorial integrado, desencadeando novo processo destrutivo e autoritário.
Ver mais aqui: https://www.facebook.com/events/424524701040605/

Atenção: Este link tem caráter meramente informativo. Sempre cheque as informações sobre os espetáculos, que podem ter sido alteradas, com os seus respectivos organizadores.

 

Documentário inédito Baré: povo do rio, dirigido por Tatiana Toffoli, narra a cultura, crenças, ritos ancestrais e lendas dos Barés, revelando aspectos dessa etnia que vive ao longo do Rio Xié e alto curso do Rio Negro, no Noroeste da Amazônia. Com duração de 63’, o filme estreia no dia 19/04, domingo, às 22h30, no SescTV e integra projeto realizado pelo Sesc São Paulo, que também é composto por um livro homônimo lançado em 31 de março deste ano.

O povo Baré sofreu violência cultural e exploração extrativista por parte do homem branco durante muitos anos, até sua língua de origem, da família linguística aruak, se perdeu. Hoje eles falam nheengatu – conhecida também como língua geral amazônica, difundida no século XVIII por missionários jesuítas e carmelitas – e têm a agricultura e a pesca como principal meio de subsistência.

Apesar da interferência dos brancos, essa etnia ainda preserva costumes de seus antepassados, como o kariamã, ritual de iniciação para a vida adulta. Neste cerimonial, apenas os rapazes recebem conselhos e ensinamentos dos mais velhos sobre como viver bem na floresta, e se preparam para tocar instrumentos considerados sagrados do Jurupari, figura da mitologia indígena. Os Baré acreditam que é proibido ver esse personagem. “Se alguém o ver sem se benzer vai comer terra, vai comer sal, pimenta, vai inchar e morrer”, conta um deles.

Durante o kariamã, os garotos, em jejum, seguem pelo rio em uma canoa. Em um determinado lugar da floresta, isolados, fazem peças artesanais, como balaio e peneira, caçam e plantam. Ao retornarem, eles prosseguem em outra etapa do ritual: expulsar o saruãça, espírito do mal, do corpo dos jovens, com benzimento e surra.  Ao final do kariamã, peixes e outros animais que servirão de alimentos também são abençoados. Assim os meninos são preparados para a vida adulta. Durante esse ritual, acontece outro, o dabucuri, quando alimentos e bens são ofertados às mulheres.

O projeto Baré: povo do Rio tem apoio do ISA – Instituto Socioambiental, da FORN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro e da ACIMRN – Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro. Produzido pela Elástica Produções, o documentário tem argumento de Marina Marcela Herrero.

 

Sobre o SescTV:

Um canal de televisão, 24 horas por dia dedicado à cultura. Sua grade de programação é pontuada por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com grandes nomes da música e da dança. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras artes também estão presentes na programação.

 

SERVIÇO:

Documentário Baré: povo do rio

Estreia: 19/04, domingo, às 22h30

Duração: 63’

Ano: 2014

Classificação indicativa: Livre

Produtora: Elástica Produções

Direção, roteiro e montagem: Tatiana Toffoli

Argumento: Marina Marcela Herrero.

 Realização: Sesc São Paulo

Apoio:

ISA – Instituto Socioambiental

FORN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro

ACIMRN – Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro.

 

Para sintonizar o SescTV:

Canal 138, da Oi TV, ou consulte sua operadora

Assista também online em sesctv.org.br/aovivo

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Foto: Eduardo Sterzi

Veronica Stigger. Foto: Eduardo Sterzi

No âmbito da exposição coletiva Frente à Euforia/Frente a la Euforia, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, será exibida em nova configuração a instalação “Menos um (Segundo volta à cena do crime: Oswald de Andrade)”, da escritora, crítica de arte e artista plástica Veronica Stigger.

A exposição, que reúne artistas colombianos e brasileiros, será inaugurada no dia 14 de maio, às 19 horas, e conta com a curadoria de Fábio Zuker, Isabella Rjeille e Mariana Lorenzi.

A programação completa (que inclui uma maratona de filmes na Casa do Povo) pode ser vista nesta ligação: http://www.oficinasculturais.org.br/programacao/detalhe-programacao.php?idprogramacao=4662

A obra de Veronica Stigger havia sido apresentada pela primeira vez na Trienal de Artes “Frestas” de Sorocaba. Entre as novidades, ela conta agora com novo áudio.

 

Menos um

(Segunda volta à cena do crime: Oswald de Andrade)

 

Entre 2003 e 2013, 616 indígenas foram assassinados no Brasil. Só no ano retrasado, foram contabilizados 53 assassinatos de índios, sendo 33 apenas no Mato Grosso do Sul – o que representa 62% do total do país. É o estado com o maior número de registros de violações aos direitos das populações indígenas. Também em Mato Grosso do Sul, igualmente em 2013, foram registrados 73 suicídios entre índios, sendo 72 deles da etnia Guarani-Kaiowá – uma média de um suicídio a cada 5 dias, o maior número em 28 anos. Estes altos índices se devem, em grande medida, a disputas pela posse da terra decorrentes da morosidade do governo federal na demarcação de áreas indígenas. O atual governo é o que menos demarcou terras indígenas nas últimas décadas: uma média de 3,6 áreas por ano. Em 2013, a situação se agravou: somente uma terra indígena foi homologada pela presidência da República em todo o país.

Menos um (Segunda volta à cena do crime: Oswald de Andrade) pretende ser um instantâneo e uma denúncia desta violência contra os primeiros habitantes do que veio a se tornar o Brasil. O trabalho aqui apresentado traz três imagens de índios assassinados e uma de um suicidado, todas elas extraídas de reportagens encontradas na internet. As frases ouvidas na sala foram retiradas das caixas de comentários das mesmas reportagens. A sentença mais repetida pelos comentaristas é exatamente “Menos um”. Nessas frases, ficam patentes o ódio e o preconceito que parte da população brasileira dirige às populações tradicionais da terra – um ódio que vem sendo fomentado criminosamente tanto por alguns veículos de comunicação, como a revista semanal de maior circulação no Brasil, quanto por parlamentares da bancada ruralista. É do deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS) a única frase presente neste trabalho que não foi retirada das caixas de comentários. Trata-se de uma exortação a uma milícia contratada para matar índios: “Se fartem de guerreiros e não deixem um vigarista desses dar um passo na sua propriedade”.

Menos um (Segunda volta à cena do crime: Oswald de Andrade) é a segunda remixagem ou reencenação da obra apresentada originalmente na Frestas – Trienal de Artes, no SESC Sorocaba. Em sua versão original, o trabalho contava com seis projetores de slides funcionando simultaneamente. A primeira volta à cena do crime ocorreu em 6 de março de 2015, numa participação especial na peça Puzzle (d), dirigida por Felipe Hirsch. Outras voltas virão. Porque este é um trabalho de memória. Este é um trabalho contra o esquecimento.

 

Dados: Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2013. Disponível em: http://cimi.org.br/pub/RelatorioViolencia_dados_2013.pdf

Com:

• Eduardo Suplicy (Secretário municipal de direitos humanos)

• David (Liderança da Aldeia Jaraguá)

• Jera (Liderança da Aldeia Parelheiros)

• Toninho Vespoli (Vereador do PSOL/SP)

• Maria Ines Ladeira (Antropóloga, coordenadora do Centro de Trabalho Indigenista)

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Mario Juruna, único índio parlamentar na história do país, não consegue se reeleger para a Constituinte (1987/88). Sem representante no Congresso Nacional desde a redemocratização, as Nações Indígenas sofrem ataques aos seus direitos constitucionais pela Bancada Ruralista. O cacique Ládio Veron lança candidatura a deputado federal nas Eleições 2014, sob ameaças do Agronegócio. Contra a PEC 215, seu slogan de campanha é “Terra, Vida, Justiça e Demarcação”.

Próximas exibições do novo filme de Rodrigo Arajeju e sua equipe, Índios no Poder:

– 25/10: V Cine Cipó, Sesc Palladium, Belo Horizonte/MG.
http://cinecipo.com.br/filmes-belo-horizonte-2015-sesc-palladium/
– 27/10: 9ª Mostra Curta Audiovisual, Museu da Imagem e do Som de Campinas, Campinas/SP.
http://www.mostracurta.art.br/cr3ati…/02-indios-no-poder-20/
– 1º/11: 10ª MOSCA, Espaço Cultural Sinhá Prado, Cambuquira/MG.
http://www.mostramosca.com.br/selecionadosmosca10/
– Novembro: Mostra Contemporânea Nacional 2015 do 19º FORUMDOC.BH.2015.
http://www.forumdoc.org.br/selecao-oficial-mostra-contemporanea-nacional-2015/
– Dezembro: Mostra competitiva do 4º Festival Curtas Brasília.
http://www.curtabrasilia.com.br

Vejam o trailer do filme (https://vimeo.com/140084737)  e sua página no facebook (https://www.facebook.com/%C3%8DNDIOS-NO-PODER-171457306524734/).

 

Ficha Técnica

Protagonistas: deputado Mario Juruna (em memória); cacique Ládio Veron Kaiowa e Guarani; Ailton Krenak; Doéthiro Álvaro Tukano; Valdelice Veron Kaiowa e Guarani; Aurivan “Neguinho” Truká; e Sonia Guajajara.
Direcão e roteiro: Rodrigo Arajeju.
Diretor de fotografia: André Carvalheira.
Som direto: Alisson Machado.
Diretor de produção: Pablo Peixoto.
Diretora de Arte: Marcia Roth.
Ilustração: João Teófilo.
Edição e mixagem de som: Mauricio Fonteles.
Montagem: Sergio Azevedo.
Finalização: Base Audiovisual.
Produção Executiva: Alisson Machado.
Coprodução: 7G Documenta, Machado Filme e Argonautas.
Produtoras associadas: 400 Filmes e Base Audiovisual.
Patrocínio: Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura – Governo Federal.

Disputa sobre terras indígenas no STF é tema de seminário na USP

Seminário “Direitos dos povos indígenas em disputa no STF”, que acontece no dia 10 de novembro na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da USP (FD/USP), em São Paulo (SP) reunirá lideranças indígenas, antropólogos e juristas.

 

Desde setembro de 2014, três terras indígenas já tiveram suas demarcações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal e outras várias estão nas mãos dos ministros da Corte. Essas decisões, que partiram da Segunda Turma, baseiam-se em uma controversa tese jurídica, o “marco temporal”.

Para refletir criticamente sobre a aplicação dessa tese e esboçar respostas às decisões no Judiciário que afetam os direitos territoriais indígenas, um grupo de juristas, lideranças indígenas e antropólogos promovem o seminário “Direitos dos povos indígenas em disputa no STF”, no próximo dia 10 de novembro, a partir das 14h, na Faculdade de Direito Largo São Francisco, em São Paulo (SP).

Coordenado pelos professores Samuel Barbosa (FD/USP) e Manuela Carneiro da Cunha (FFLCH/USP), o seminário é aberto ao público e contará com as contribuições dos juristas José Afonso da Silva, professor titular aposentado da FD/USP; além de Dalmo Dallari, professor emérito da FD/USP; Deborah Duprat, subprocuradora-geral da República; e das lideranças indígenas Sonia Guajajara, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB); Elizeu Lopes, da Aty Guasu – Grande Assembleia dos Povos Kaiowa e Guarani; e David Popygua, da Comissão Guarani Yvyrupa.

A tese do “marco temporal”, aplicada na anulação das portarias de reconhecimento da TI Limão Verde, do povo Terena (MS), da TI Guyra Roka, do povo Guarani Kaiowa (MS), e da TI Porquinhos, do povo Canela Apanyekra (MA), foi firmada no julgamento do caso da TI Raposa-Serra do Sol (TI RSS), em Roraima, e sustenta que os índios só teriam direito às terras efetivamente ocupadas em 5 outubro de 1988, data da promulgação da Constituição.

Essas decisões da Segunda Turma aplicam também a vedação à ampliação de Terras Indígenas – outra condicionante estabelecida para o julgamento da TI RSS – e uma interpretação restritiva da ideia de “esbulho renitente”. Em outubro de 2013, ao julgar os embargos declaratórios do caso da Raposa, o plenário do Supremo entendeu que as condicionantes impostas ao caso não teriam efeito para outras demarcações. Essas decisões ferem também as recomendações da Comissão Nacional da Verdade para reparação dos povos indígenas pelos massacres e remoções forçadas que sofreram de 1946 a 1988.

Além das palestras, que tratarão dos direitos indígenas na Constituição de 1988 e do impacto das decisões do Judiciário sobre casos como o do povo Guarani Kaiowa, será apresentado um parecer sobre as teses jurídicas. Após o seminário, um livro será editado com o conteúdo das discussões e outros artigos relacionados ao tema.

O seminário é promovido pela Faculdade de Direito (Departamento de Filosofia e Teoria Geral), Centro de Estudos Ameríndios da USP, Associação Juízes para a Democracia, Instituto Socioambiental – ISA, Centro de Trabalho Indigenista – CTI e Índio é Nós.

Leiam a Declaração contra o Marco Temporal.

O Seminário Direito dos Povos Indígenas em Disputa no STF é promovido

O evento é aberto a todos que se interessarem pelo tema. Não é necessário fazer inscrição.

Os interessados poderão acompanhar também a transmissão ao vivo através do link: http://iptv.usp.br/portal/transmission-generate-url?idItem=30652

Haverá transmissão online:  http://bit.ly/1XEOdnw

 

Seminário “Direitos dos povos indígenas em disputa no STF”

Quando | 10 de novembro de 2015, das 14h às 19h

Onde | Salão Nobre, 1ª andar do prédio histórico
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FD/USP)
Largo São Francisco, 95 – Centro, São Paulo – SP

Página do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/977410092317097/

 

Palestrantes
Dalmo de Abreu Dallari
David Popygua
Deborah Duprat
Elizeu Lopes
José Afonso da Silva
Samuel Barbosa
Sonia Guajajara

 

Este tuitaço foi sugerido pelo Greenpeace. Persiste a impunidade em relação aos imensos danos ambientais causados pelo rompimento da barragem da empresa Samarco, na cidade de Mariana, em Minas Gerais. O comprometimento da Bacia do Rio Doce afetou os povos indígenas da região. O povo Krenak perdeu uma fonte de água, e tiveram de bloquear uma ferrovia da empresa para conseguirem receber água mineral da Vale (a antiga Vale do Rio Doce, que não só apagou o rio do homem, como agora o fez geograficamente). Os pescadores perderam seu ofício, pois os peixes morreram. Pelo menos 17 pessoas foram mortas no maior desastre ambiental da história do Brasil.

O governo estadual, em resposta a esse gigantesco desastre ambiental, preferiu comprometer ainda mais a legislação ambiental de Minas Gerais, tornando mais provável a repetição de catástrofes como essa. O governo federal, com os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, realizou acordos com os possíveis agentes de crime ambiental, que foram considerados insuficientes pelo Ministério Público Federal. Ele pretende que a Samarco e suas controladoras, a Vale a BHP, paguem indenização de 155 bilhões num prazo entre 15 e 18 anos.

Impressiona que detritos continuem vazando das barragens, poluindo os rios da região, o que parece caracterizar um crime ambiental continuado, segundo o Ministério Público, embora pesquisador contratado pelo Ministério do Meio Ambiente tivesse anunciado que o rio estaria bom em abril de 2016, mês passado.

Em 2012, em votação mundial, a Vale destacou-se, venceu fortes concorrentes e foi eleita a pior empresa do mundo, em razão de uma série de empreendimentos e obras com altíssimo impacto ambiental e danosas para povos indígenas e comunidades tradicionais. Tendo em vista a repetição desses desastres e das violações de direitos difusos e coletivos, é importante participar do tuitaço, para mostrar que a sociedade está alerta para o problema: https://twitter.com/GreenpeaceBR/status/727953445051879424