A CONAIE (Confederación de Nacionalidades Indígenas del Ecuador) denuncia, nesta carta de oito de outubro, o regime de terror instaurado pelo governo de Lenín Moreno. Para impor as medidas neoliberais acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo impôs o estado de exceção no país, com toque de recolher.

O presidente deixou o palácio presidencial em Quito por causa da mobilização popular e das ações de resistência do movimento indígena. A CONAIE, fazendo uso de seus direitos internacionais, constitucionais e originários de autodeterminação dos povos indígenas, decretou estado de exceção em resposta às medidas de Lenín Moreno, determinando que militares e policiais que invadam os territórios desses povos serão submetidos à Justiça Indígena.

Abaixo, está a denúncia, assinada pelo presidente da Confederação, Jaime Vargas, da brutalidade das forças de segurança do Estado contra a mobilização popular e o movimento indígena:

conaie moreno regime de terror

 

 

Este é o decreto baixado pela CONAIE em resposta ao decreto de estado de exceção imposto pelo governo. A Confederação denuncia a mineração e a exploração da natureza nos territórios e cita expressamente a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a própria Constituição do Equador, todas violadas pelo governo de Lenín Moreno:

 

conaie estado

 

 

 

Este estado de exceção insurrecional e indígena deve abrir precedentes para a luta dos povos originários do continente e, talvez, finalmente realizar as promessas do que se convencionou chamar de novo constitucionalismo latino-americano.