A mobilização mundial que ocorreu no dia 31 de janeiro de 2019, chamada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sangue indígena: nenhuma gota a mais, englobou mais de cinquenta atos, no Brasil  e no Canadá, Estados Unidos, França, Portugal, Reino Unido, Suíça: http://apib.info/2019/01/30/mais-de-50-atos-contra-o-genocidio-indigena-acontecem-nessa-quinta-feira/

Em São Paulo, a Polícia Militar permitiu um percurso bem curto, até a Praça do Ciclista.

 

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Entre as reivindicações dos povos indígenas, além da demarcação das terras, que o novo presidente da república anunciou que deixaria de fazer, descumprindo dever constitucional, e o fim do genocídio, destacavam-se o não à municipalização da saúde indígena, a volta da Funai ao Ministério da Justiça com sua competência para demarcação de terras indígenas.

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A medida provisória 870 desconfigurou a Funai, como explicamos em outro texto, “Medida provisória quer tornar provisórios os povos indígenas“.

 

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A concentração do ato deu-se no Vão Livre do Masp. Em razão da negociação com a Polícia Militar, ele só pôde sair depois das 18 horas pela avenida Paulista. Indígenas de outras partes do Brasil estavam presentes.

Nesse momento, o caminhão do ato ainda estava diante do Vão Livre do Masp.

No topo do caminhão, faziam-se discursos pela #DemarcaçãoJá. Os organizadores que o evento fosse divulgado também com os tópicos #NãoAoGenocídioIndígena e #JaneiroVermelho.

Ara Mirim, da Terra Indígena Jaraguá, foi uma das lideranças que falou. Ela pediu para que os manifestantes não caíssem em provocações:

Este é o início do discurso de Karai Popygua, que reclamou dos discursos oficiais de ódio contra os povos indígenas:

O fim do discurso desta liderança Guarani, presidente do Conselho Estadual dos Povos Indígenas de São Paulo, com críticas ao desmonte da política ambiental:

Palavras fortes: “Um país como o Brasil, que é o país que tem a maior porção da Amazônia, eleger um presidente que destrói a terra? Que governo é esse? Olha o que os povos indígenas estão passando”; “Quem é ele para falar dos povos originários desta terra? Que cultura, que conhecimento da história ele tem?”. “Agora ele saiu do Brasil para falar lá fora que o Brasil tem política ambiental. Que ele está destruindo tudo. Ele acha o quê? Que as pessoas são idiotas?”

Karai Popygua também tratou do enfraquecimento da Funai e da Ministra Damares Alves, mais especificamente da denúncia de ela ter tomado uma criança indígena sem o processo de adoção.

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No decorrer do ato, com o veículo mais adiante na avenida Paulista, Ara Mirim voltou a falar, referindo-se às comunidades quilombolas e também às pessoas LGBT:

Ela foi uma das lideranças que marcou a presença das mulheres indígenas.

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O vermelho do sangue indígena continua a ser derramado no solo brasileiro. O recrudescimento de invasões e de ataques aos povos indígenas com o novo governo tem agravado essa terrível realidade:

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Por isso, nada mais simbólico que as longas faixas do Janeiro Vermelho tenham sido erguidas pelos manifestantes e levadas pela avenida. Este sangue levanta-se em contestação.

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