apib mobilizacao 2019 jan

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) chama para o ato Sangue indígena: nenhuma gota a mais, do #JaneiroVermelho, exigindo #DemarcaçãoJá. Apesar de o movimento indígena referir-se a uma mobilização em nível nacional, já estão programados eventos no Canadá, Estados Unidos, Irlanda, Reino Unido, Suíça e Portugal, além de vários Estados brasileiros: https://www.facebook.com/media/set/?set=oa.2243887535642730&type=3

Jair Bolsonaro elegeu-se prometendo violar a Constituição e descumprir o dever de demarcar as terras indígenas e das comunidades quilombolas. No entanto, em dezembro de 2018, o DataFolha fez uma pesquisa nacional que comprova que 60% dos brasileiros são contrários à redução das terras indígenas.

Pouco afeito ao cumprimento da Constituição e à vontade popular, no entanto, o governo Bolsonaro, por meio da Ministra Damares, fez voltar à Funai o consultor da Belo Sun Mining, o general Franklimberg. A APIB já havia se manifestado contra a presença dele na Funai durante o governo Temer. Lembramos que violou a quarentena determinada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República e deixou a entidade que era responsável pela demarcação de terras indígenas para a multinacional que deseja explorar os recursos minerais dessas mesmas terras.

O conflito de interesses é evidente e parece ser uma regra desse governo, considerando o exemplo do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, condenado por improbidade administrativa por sua atuação como Secretário da mesma área no governo de Geraldo Alckmin em São Paulo. Salles até o momento não se reuniu com ambientalistas, e sim apenas com empresários e parlamentares que desejam multiplicar a exploração dos recursos naturais e liberar agrotóxicos.

Cleber Buzzato, do CIMI, escreveu, em “O governo Bolsonaro e o anticonstitucionalismo contra os povos indígenas“, que

O Presidente da República, em diferentes discursos, nos últimos meses, tem feito a defesa do integracionismo, projeto da Ditadura Militar que propunha a eliminação dos povos indígenas no Brasil. O presidente da Funai foi consultor da Belo Sun, multinacional canadense cujos projetos de mineração afetam povos indígenas no Pará. Com isso, o esbulho possessório, a colonização ideológica e o fundamentalismo religioso tendem a se retroalimentar em prejuízo dos projetos de futuro próprio dos povos. A perspectiva do etnocídio é uma realidade neste contexto.

De fato, diversos setores do governo estão engajados em estabelecer políticas anti-indígenas, como o Ministério das Relações Exteriores, como destacou Eliane Brum, “O chanceler quer apagar a história do Brasil“:  “O chanceler de Bolsonaro sabe muito bem a quem serve quando tenta forjar uma identidade nacional para um Brasil que afirma ter renascido pelas mãos de seu chefe. Ele não cita os indígenas, mas afirma enfaticamente em seu discurso que trabalhará pelo agronegócio.”

As palavras têm efeito, ainda mais se oriundas de uma posição de poder. Os discursos anti-indígenas de Bolsonaro e de sua equipe criaram um clima favorável a invasões de grileiros e a outros ataques contra os povos originários, o que tem suscitado a atuação do Ministério Público Federal neste início de 2019. É necessário criar atos e discursos contra esta palavra – e os atos – do poder oficial.