“Não tem sentido falar de invasão de uma área que sempre pertenceu aos índios e da qual fomos expulsos. Vamos simplesmente ocupá-la novamente.” Essa fala de Angelo Cretã, citada nesta edição do Mensageiro, resume o espírito das retomadas. Primeiro Vereador índio na região Sul, eleito em 1976 pelo Município de Mangueirinha, foi um dos grandes exemplos de coragem contra as políticas etnocidas e genocidas do Estado brasileiro. Diante da omissão da Funai, Kretã liderou seu povo e, juntos, expulsaram cerca de trezentos colonos que haviam invadido a Terra Indígena Mangueirinha. Quando morreu, ainda disputava as terras com a empresa Slaviero, que tomara parte da TI.

Seu assassinato foi uma das graves violações de direitos humanos relatadas pela Comissão Nacional da Verdade em 2014:

Ameaças e assassinatos de lideranças indígenas e indigenistas foram comuns nesse período, como o assassinato do líder kaingang Angelo Kretã, morto em 1980, e do Guarani Marçal de Souza, fundador da União das Nações Indígenas assassinado em 1983. Ambos eram lideranças indígenas com projeção nacional e internacional no período e denunciaram com grande veemência o esbulho de suas terras no Paraná e no Mato Grosso. (CNV, Relatório, vol. II, p. 244)

O assassinato de indígenas continua desenfreado no Brasil; neste ano, já dois professores foram assassinados: Marcondes Namblá Xokleng, em Santa Catarina, e Daniel Kabixana Tapirapé, no Mato Grosso. As lideranças da TI de Mangueirinha, no sudoeste do Paraná, divulgaram este manifesto nos 38 anos da morte de Angelo Kretã.

ANGELO KRETÃ