Divulgamos o poema que será lido pela autora no dia 22 de novembro de 2017, na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), por ocasião do I Encontro Internacional de Culturas Indígenas da América Latina e Caribe, organizado pela Uespi por meio do Núcleo Estudos e Pesquisas Afro – NEPA, do Mestrado Acadêmico em Letras e Núcleo de Estudos Hispânicos/Uespi e pela Associação de Historiadores Latino-Americanos e do Caribe (ADHILAC) Seção Brasil: http://www.pi.gov.br/materia/educacao/v-encontro-africa-brasil-promove-discussoes-sobre-literaturas-afro-brasileiras-indigenas-e-africanas-3327.html

 
 

CANÇÃO PEREGRINA

Autoria indígena: Graça Graúna*

 

I

Eu canto a dor

desde o exílio

tecendo um colar

de muitas histórias

e diferentes etnias

 

II

Em cada parto

e canção de partida,

à Mãe Terra, peço refúgio

ao Irmão Sol, mais energia

e à Irmã Lua peço licença poética

para esquentar tambores

e tecer um colar

de muitas histórias

e diferentes etnias.

 

III

As pedras do meu colar

são história e memória

são fluxos de espírito

de montanhas e riachos

de lagos e cordilheiras

de irmãos e irmãs

nos desertos da cidade

ou no seio da floresta.

 

IV

São as contas do meu colar

e as cores dos meus guias:

amarela

vermelha

branco

negro

de Norte a Sul

de Leste a Oeste

de Ameríndia ou de LatinoAmérica

povos excluídos.

 

V

Eu tenho um colar

de muitas histórias

e diferentes etnias.

Se não me reconhecem, paciência.

Haveremos de continuar gritando

a angústia acumulada

há mais de 500 anos.

 

VI

E se nos largarem ao vento?

Eu não temerei,

não temeremos,

pois Antes do exílio

nosso irmão Vento

conduz nossas asas

ao círculo sagrado

onde o amálgama do saber

de velhos e crianças

faz eco nos sonhos

dos excluídos.

 

VII

Eu tenho um colar

de muitas histórias

e diferentes etnias.

 

graçagrauna

 

* GRAÇA GRAÚNA. Canção peregrina. In: Antologia indígena. Mato Grosso: SEC; Inbrapi; Nearin, 2009, 27-28.