Este panfleto foi distribuído em Ato do Dia Internacional dos Povos Indígenas em São Paulo, no dia 9 de agosto de 2017. Facundo Jones Huala é um líder Mapuche que está atualmente preso na Argentina, em razão da criminalização desse povo, que fez ações de retomada de uma parte pequena das terras que estão nas mãos da multinacional Benetton na Patagônia. O Chile quer sua extradição para processá-lo como “terrorista”, como tem feito contra as lideranças Mapuches.

Santiago Maldonado é um desaparecido político, durante o governo de Mauricio Macri na Argentina. Um artesão de 28 anos apoiador da luta dos povos originários, ele foi preso em primeiro de agosto, alvo de uma repressão policial contra os Mapuches, e nunca mais foi visto. A ministra Patricia Bullrich deu informações falsas ao Senado argentino, negando a responsabilidade do Estado, tendo sido desmentida pelo jornal Tiempo Argentino. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos afirmou que atuará no caso. O Comitê contra Desaparecimentos Forçados da Organização das Nações Unidas, a pedido do Centro de Estudios Legales y Sociales (CELS), também solicitou da Argentina uma ação urgente para encontrar Maldonado. O escândalo internacional foi divulgado mesmo por veículos da grande imprensa, como Le MondeBBC, The Guardian.

A luta dos povos originários e das comunidades tradicionais contra o avanço do extrativismo mineral, das madeireiras e do agronegócio em suas terras (cada vez mais comum na América do Sul, tendo em vista o poder dos grupos econômicos e do modelo que os Estados do continente adotaram no capitalismo internacional) tornou-os protagonistas de uma resistência política, seja contra o agrobanditismo genocida no Brasil, seja contra criminalização pela legislação antiterrorista no Chile, seja contra violência policial a serviço dos grandes proprietários na Argentina etc. Nesta matéria de Darío Aranda publicada por Lavaca, “Qué hay detrás de la campaña antimapuche: extractivismo, medios y un genocidio que nunca termina”, de 10 de agosto, temos a síntese da situação, “ser indígena hoje é ser subversivo”:

“Ser indígena hoy es ser subversivo”, resumió con simpleza en una mateada Jeremías Chauque, mapuche, músico, productor de alimentos sanos (sin agrotóxicos). Y amplió: “Los indígenas no aceptamos el extractivismo. Nunca lo aceptaremos. Y vamos a morir luchando contra las mineras, petroleras, empresas transgénicas. Por eso nos consideran un peligro”.

Multiplicam-se os ataques no continente. No Brasil, no estado do Ceará,  Mauricio Alves Feitosa, do povo Pitaguary, foi espancado e queimado em 27 de agosto em sua própria casa, e está em estado grave. Vejam a nota do Movimento Indígena do Ceará em repúdio ao ataque e exigindo das autoridades investigações. No entanto, neste país, a mobilização popular contra esses crimes anti-indígenas ainda tem sido muito inferior ao que está ocorrendo na Argentina, apesar de todo o incremento da violência no campo e na floresta propiciado pelo atual clima político no Brasil, marcado pelo desrespeito contra os direitos humanos e pela impunidade dos poderosos.

 

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