Divulgamos esta nota de repúdio do Conselho Indígena de Roraima à “Série Especial: Fronteira do Abandono”, sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, divulgada pela Tevê Bandeirantes em seu principal jornal.

Sugerimos que acompanhem o Conselho Indígena de Roraima pelo portal do CIR (http://www.cir.org.br/) e pelo facebook (https://pt-br.facebook.com/conselhoindigena.cir).

 

ciroraima

 

Nota de repúdio à “Série Especial: Fronteira do Abandono” exibida no Jornal da Band sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol/RR

 

O Conselho Indígena de Roraima – CIR, organização indígena criada para defender os direitos e interesses dos povos indígenas Macuxi, Wapichana, Taurepang, Patamona, Sapará, Ingaricó, Wai-Wai, Ye`kuana e Yanomami, vem repudiar a “Série Especial: Fronteira do Abandono”, exibida no último dia 7 desse mês no Jornal da Band da emissora Bandeirantes e publicado em sua página na web, além, de reportagens exibidas em outros canais e meios de comunicação de circulação nacional.

O CIR repudia as inverdades que o canal insiste em propagar à sociedade brasileira de que a “economia” do estado de Roraima caiu devido à saída dos arrozeiros e fazendeiros da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e que os indígenas estariam passando fome, sem perspectivas de vida.

Não é de agora, que o canal usa do seu “poder midiático” e tenta propagar inverdades sobre a vida, cultura, os costumes, a luta e a conquista dos povos indígenas da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, produzindo reportagens, matérias e séries de conteúdo difamatório, inverídico e sem o menor senso de justiça, dignidade e ética.

Depois de mais de 10 anos homologada, e esse ano, completando 7 anos de confirmada, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, território tradicional e sagrado, vive novos tempos longe de invasores que deixaram, sim, a região devastada, o solo acabado, rios e lagos poluídos, devido o uso de agrotóxicos que alimentavam a sua produção e o seu capitalismo.

Aos poucos, as comunidades indígenas se recuperam de mais de 30 anos de sofrimento, violência, destruição, ameaça e até morte provocada pelos invasores que insistiam em permanecer no território tradicional dos povos Macuxi, Wapichana, Patamona, Taurepang e Ingaricó.

A Série exibiu conteúdo que não condiz com a atual realidade dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol. Nesses 12 anos de reconquista da terra, houve avanços significativos que refletem a realidade longe dos invasores, e a buscam pelo bem viver, fortalecimento da autonomia, da cultura e sustentabilidade das comunidades indígenas.

Destacamos o projeto Cruviana de geração de energia eólica, um projeto construído coletivamente pelas comunidades indígenas da região serrana, o projeto Tamanduá destinado para o fortalecimento da produção e comercialização agrícola, as feiras regionais de geração de renda à comunidade, a construção dos escritórios regionais nas regiões do Baixo Cotingo e Raposa, a reconstrução do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sul (CIFCRSS) na região do Surumu, destruído pelos invasores, em 2005, o histórico projeto “Uma vaca para o índio” e outros projeto de gado que ao longo da trajetória de luta indígena se consolidaram nas comunidades indígenas como fonte de alimento, mas também de vida, de autonomia dos povos indígenas e garantia de direitos territoriais.

Além disso, há um forte movimento em defesa e valorização da cultura indígena promovida pelos jovens indígenas e incentivada pelas lideranças tradicionais que repassam os conhecimentos tradicionais, seja da língua, da dança, dos cantos e costumes milenares.

Por fim, as inverdades propagadas não enfraquecerão uma luta de mais de 30 anos, uma luta e resistência secular, não só dos povos da Raposa Serra do Sol, mas dos povos indígenas de Roraima e do Brasil.
E como direito de resposta, desafiamos o canal Bandeirantes a visitar in loco novamente o nosso território para conferir a atual e verídica realidade das comunidades indígenas e etnoregiões da Raposa Serra do Sol.

Boa Vista, 17 de fevereiro de 2017.

Conselho Indígena de Roraima.

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