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A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) publicou em 13 de janeiro a nota “Recuar jamais na defesa dos direitos conquistados”, contra a entrega, por Michel Temer, da Funai ao PSC. Foi nomeado para a Presidência da Fundação um pastor desse partido, Antônio Fernandes Toninho Costa, e o general do Exército Franklimberg Rodrigues de Freitas, outra indicação desse partido, foi escolhido para o cargo de Diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai. Leiam a nota nesta ligação: https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/2017/01/14/recuar-jamais-na-defesa-dos-direitos-conquistados/

O jornal Amazônia Real apurou que as indicações do PSC (que, ao menos desde julho do ano passado, tenta militarizar a Funai) ocorreram em meio às pressões governamentais em prol de obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, em terras indígenas. A matéria pode ser lida aqui: http://amazoniareal.com.br/governo-temer-nomeia-pastor-a-presidente-da-funai-e-inclui-um-general-do-exercito-na-equipe-ambos-do-psc/

A APIB bem ressalta que “O movimento indígena não pode esquecer que o PSC é parte do batalhão de parlamentares que perseguem suprimir os direitos constitucionais dos povos indígenas: votou a favor da PEC 215, compõe a CPI da Funai / Incra por meio do deputado Bolsonaro filho, e é postulador do projeto de lei do infanticídio voltado a criminalizar os povos indígenas. Ou seja, trata-se de um partido anti-indígena.”.

Afinal, o que é o Partido Social Cristão, o PSC? Ele é composto principalmente por membros da Bancada da Bíblia e da Bancada da Bala, que têm na oposição aos povos indígenas um ponto em comum com a Bancada do Boi, ou seja, do latifúndio (que teve o nome higienizado pela grande imprensa para “agronegócio”). Essas “bancadas” querem o fim dos modos de vida dos povos indígenas e defendem o etnocídio por meio da imposição dos credos cristãos e da repressão armada. Alguns de seus membros foram autores de projetos anti-indígenas, além de combaterem a demarcação das terras.

Além disso, trata-se de um grupo que congrega, entre outros nomes, defensores da tortura e do totalitarismo (incluindo imitador do ditador nazista), deputado que diz que os negros são amaldiçoados e a homossexualidade leva ao crime, que sustenta pastores com dinheiro público, que é contrário à igualdade de direitos entre homens e mulheres, que teve um representante da bancada da Bíblia criador da oração da propina, , deputado suspeito de tentativa de homicídio e que deve à Justiça Eleitoral as liminares que lhe permitiram ultrapassar a Lei da Ficha Limpa, que teve deputado preso por peculato, políticos condenados por improbidade administrativa (a ligação com o governo Temer é um dado a mais neste quadro), além de parlamentares que são notícia por causa da Lava-Jato; segundo a Polícia Federal, em desespero total; etc.

A escolha de nomes anti-indígenas para a Funai é estratégica neste momento em que o governo federal deseja acabar com os direitos originários por meio de decreto presidencial  (vejam aqui: http://www.indio-eh-nos.eco.br/2016/12/16/nota-de-repudio-a-proposta-do-governo-temer-para-retirar-direitos-dos-povos-indigenas-sobre-suas-terras/), em guerra (a expressão golpe é fraca neste contexto) contra os povos indígenas no Brasil.

 

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