Fomos informados de que a campanha abaixo arrecadará somente até 26 de fevereiro de 2017:

 

A vital plataforma Armazém Memória, que conta com tantos fundos de documentos, especialmente os relativos aos povos indígenas, lança novo projeto: disponibilizar todos os documentos da Assessoria de Segurança e Informações (ASI) da Funai.

Essas assessorias ou divisões eram braços do Serviço Nacional de Informações (SNI), que se estendiam por toda administração federal. Isto é, faziam parte do sistema de controle e vigilância da ditadura militar.

Muitas das graves violações de direitos humanos encontram indícios ou comprovações nos documentos das ASI, que não foram nem de longe esgotados pela Comissão Nacional da Verdade. Há muitíssimo a pesquisar e, certamente, esse material servirá para fundamentar reivindicações dos povos indígenas.

Vejam, por exemplo, este documento confidencial, já no Armazém Memória, que relata o assassinato de um índio por policial militar do Pará, que teria ameaçado matar todos os índios que aparecessem na cidade de Rio Maria.

 

indio e nos dsi funai 2

 

Para dar continuidade a esse trabalho, Marcelo Zelic (o redescobridor do Relatório Figueiredo, importante documento sobre os graves crimes cometidos pelo Serviço de Proteção ao Índio) lançou uma campanha de financiamento coletivo:

O Armazém Memória tem se dedicado a mapear e reunir para pesquisa online livre e gratuita, acervos que contenham memória de resistência do povo brasileiro, organizando centros de referência virtuais temáticos.

Esta campanha tem por objetivo incluir 50 mil páginas de documentos do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), especificamente do fundo ASI-FUNAI, ( Assessoria de Segurança e Informação da Fundação Nacional do Índio ) e que contém importante documentação de apoio à luta dos povos indígenas para o reconhecimento de seus direitos hoje.

A ASI-FUNAI monitorou durante a ditadura militar e também na nova-república, a resistência dos povos indígenas brasileiros, as ações de indigenistas e de instituições envolvidas com o trabalho com o índio, bem como a imprensa, tendo recolhido aos seus arquivos documentos produzidos, coletados e recebidos predominantemente entre os anos de 1968 a 1990, chegando até o ano 2000.

Este acervo é uma caixa de ressonância dos conflitos gerados pelos vários planos nacionais de integração e desenvolvimento aplicados pelo estado brasileiro à época e que atingiram duramente os povos indígenas no Brasil, como apontou a Comissão Nacional da Verdade, com consequências sentidas até hoje.

Coletivos também serão os ganhos deste projeto. Leiam o restante e contribuam clicando nesta ligação: https://www.catarse.me/amigosdamemoria