índio é nós munduruku POEsta é uma carta do Movimento Munduruku, que está sendo reproduzida, a pedido, também em outros portais.

A Funai havia paralisado as demarcações na região do Tapajós para mascarar a ilegalidade da pretendida aprovação das barragens no rio. A intenção ilícita do governo federal foi documentada em vídeo pelos Mundurukus, que gravaram a ex-presidente da Funai, Maria Augusta Assirati, reconhecendo as pressões que impediam a demarcação das terras – que é, lembremos, uma obrigação constitucional do Estado brasileiro: http://www.oeco.org.br/noticias/28798-governo-so-demarca-se-indigenas-apoiarem-usina-no-tapajos

O relatório circunstanciado de identificação e delimitação da Terra Indígena Sawré Muybu fora concluído em 2013. O problema não é técnico, mas de vontade política de autoridades comprometidas com grupos contrários aos direitos constitucionais e internacionais dos povos indígenas.

A justiça federal, diante das várias evidências da má-fé do governo, determinou que a demarcação prosseguisse.  Tal foi a sentença do juiz Ilan Presser, de Itaituba, no último 29 de abril, que condenou a Funai a pagar vinte mil reais, mais juros, pelos danos causados aos índios.

No entanto, sabendo que essas vitórias judiciais são, em geral, provisórias, o Movimento Munduruku decidiu escrever esta carta “a todos que apoiam a luta contra as barragens no rio Tapajós e afluentes; a todos que apoiam a luta dos Munduruku pela defesa de seu território e de sua vida; aos movimentos sociais e à sociedade brasileira” e, finalmente, em expressiva imagem, “ao Estado brasileiro, que continua agindo como a sucuri gigante, nos sufocando aos poucos”.

Sugerimos também a leitura da carta de Jairo Saw Munduruku, “Esta é a razão da nossa luta por território“, no portal da Autodemarcação Munduruku.

 

P.S.: A carta nos foi enviada por Nayana Fernandez.

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