A rede Índio é Nós foi criada em 2014 por não índios em solidariedade aos povos indígenas, prevendo que esses povos sofreriam ainda mais ataques neste ano por conta do período eleitoral, dos grandes empreendimentos e do agrobanditismo. Se é verdade que os índios se articulam, e há diversas organizações que historicamente trabalham com eles, não menos certo que articular outras pessoas e redes é necessário, tendo em vista a dimensão dos ataques e da importância central dos direitos e terras indígenas para a diversidade cultural e ambiental e para a cidadania no Brasil.

Poema visual de André Vallias

Trecho do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade, na arte de André Vallias

Com o nome sugerido por Eduardo Viveiros de Castro, a logomarca criada por André Vallias e Age de Carvalho, o portal criado por Laura Daviña, a rede preparou-se para lançar uma série de eventos em abril de 2014, bem como a servir para divulgação dos atos dos povos indígenas e das organizações não governamentais que com eles trabalham, se julgassem útil nossa ajuda. Esta retrospectiva indica os eventos que organizamos e os de outros que, a pedido, divulgamos. Agradecemos todos aqueles que se engajaram e aos que confiaram nos esforços desta rede, que não tem financiamento nem mesmo formalização jurídica.

Foto de Eduardo Sterzi

Foto de Eduardo Sterzi

Como esperávamos, o ano de 2014 trouxe mais agressões. Esperemos o relatório circunstanciado que o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) periodicamente elabora sobre a violência contra os povos indígenas pra que tenhamos uma ideia do que significou 2014. Apenas para ressaltar que os não índios precisam se engajar na questão, lembremos aqui de somente alguns acontecimentos do ano. Prossegue a ilegalidade ambiental e a inconstitucionalidade da construção da Usina de Belo Monte, que configura um etnocídio, o que membros do Ministério Público já perceberam. Ficou clara a decisão política do governo federal de leiloar usinas no Tapajós (parte dos 20 projetos denunciados pelo Cacique Raoni) sem licenciamento ambiental e sem consulta prévia às populações afetadas, em confronto direto com o Direito Internacional e a Constituição da República. Ocorreu o abandono do cinema indígena pelo Ministério da Cultura. Persiste a crise da educação indígena – em um caso alarmante, Dourados (MS) 600 crianças ficaram fora da escola. Tomou-se a decisão pela privatização da saúde indígena. 2014 foi ainda o ano em que duas lideranças indígenas foram proibidas de viajar para o exterior representar seus povos, Marcos Xukuru e Babau Tupinambá.

No âmbito do Legislativo também se verificaram ataques, na tentativa de votar a PEC 215 e outros projetos anti-indígenas, e nas campanhas de ódio contra os índios. Foram enviados ao Congresso projetos para sacrificar os conhecimentos tradicionais indígenas em favor da indústria farmacêutica. Deputados da Comissão Especial de Demarcação de Terras Indígenas (comissão, na verdade, par ao fim das demarcações que se daria com a  aprovação da PEC 215), ligados aos ruralistas, estão sendo investigados por suposto esquema de invasão de terras indígenas.

No Judiciário, mais retrocessos e ameaças, especialmente com o julgamento no Supremo Tribunal Federal, no sono tranquilo dos injustos em que está a causa de Belo Monte nesse tribunal, e na decisão da 2a. turma, em julgamento sobre a TI Guyraroká, no Mato Grosso do Sul, sobre a adoção da Constituição de 1988 como “marco temporal” para as terras indígenas no Brasil, o que, como escrevemos neste portal, significa “legalizar as ações de uma ditadura genocida. Dificilmente poder-se-ia cair mais em termos éticos.” A justiça do Pará, em outra decisão anti-indígena, desprezou os estudos da Funai e o autorreconhecimento no caso da TI Maró.

Foto de Eduardo Sterzi

Foto de Eduardo Sterzi

O Brasil, segundo a ONG Global Witness, foi apontado em agosto como o campeão mundial de assassinatos de ativistas ambientais, afetando camponeses e índios. Ocorreram diversos ataques do agrobanditismo, como o caso dos índios Ka’apor ameaçados de morte por madeireiros no Maranhão, e o assassinato da líder kaiowá Marinalva Manoel em Dourados. Davi Kopenawa foi ameaçado de morte em julho. A criminalização das lideranças indígenas atingiu os Tenharim, pressionados a confessarem crimes que não cometeram. No campo da política eleitoral, o “leilão da resistência” logrou ajudar a eleger o governador do Mato Grosso do Sul e dez deputados nesse Estado.

No tocante aos meios de comunicação, houve desde o silenciamento como o que a tevê fez com o jovem Guarani de Parelheiros, Wera Jeguaka Mirim, pedindo “demarcação” na abertura da Copa do Mundo, até o ataque frontal, como a reportagem do Diário Catarinense, do Grupo RBS, contra o povo Guarani e o processo de demarcação da TI (Terra Indígena) do Morro dos Cavalos. Essa matéria foi indicada para o Prêmio Esso (não ganhou, felizmente), o que gerou protestos.

David Martim Karai Popygua e esposa, com Manuela Carneiro da Cunha. Caminhada Índio é Nós

David Martim Karai Popygua e esposa, com Manuela Carneiro da Cunha. Caminhada Índio é Nós

Pois a resistência esteve presente, com os atos da Mobilização Nacional Indígena em Brasília e diversas outras iniciativas. O povo Munduruku resolver fazer a autodemarcação de suas terras, tendo em vista a inação da presidência da Funai: o “Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Sawré Muybu” (vejam o documento na matéria da Agência Pública e o vídeo da Campanha Munduruku) está pronto desde setembro de 2013, depois de sete anos em elaboração, mas continua parado. O povo Aikewara foi anistiado em setembro, mas continua a aguardar a devolução de seu território. O Ministério Público Federal decidiu processar a Veja por matéria anti-indígena de 2010, em que foram forjadas, segundo os próprios estudiosos, declarações de Márcio Pereira Gomes e Eduardo Viveiros de Castro. Entre as boas notícias, a própria Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) reconheceu em agosto o papel primordial dos povos indígenas e da agricultura familiar na preservação do meio ambiente. A Sociedade Brasileira de Arqueologia denunciou a invasão das terras tradicionais pela Força de Segurança Nacional na região do Tapajós e conclamou os arqueólogos  não participarem do licenciamento desses empreendimentos energéticos ilegais.

A rede Índio é Nós foi criada para somar-se a essa resistência e dar-lhe ainda mais visibilidade (o que é importante em uma sociedade que, tantas vezes, prefere ignorar a presença dos índios em todas as regiões do país, inclusive nas cidades) e contou com alguns apoios ilustres, como o de Gilberto Gil. Foram realizados eventos do Norte ao Sul do país, com dois no exterior, em Washington (palestra de Marília Librandi-Rocha) e em Berlim (exibição dos documentários de Jade Rainho e Nayana Fernandez). No bloqueio usualmente feito pelos grandes meios de comunicação às questões indígenas, houve a exceção do caderno Prosa e Verso de O Globo, com a matéria “O cerco aos índios na ditadura e na democracia“, de Guilherme Freitas, que noticiou o lançamento da rede.

O Jaraguá é Guarani. Foto Pádua Fernandes

O Jaraguá é Guarani. Foto Pádua Fernandes

Entre os veículos de esquerda, tivemos a Revista Baderna, com texto que explica a campanha; outro texto explicativo saiu no Nossa Voz, jornal que havia sido censurado e fechado pela ditadura militar e voltou recentemente. Por sinal, Índio é Nós, desde o lançamento da campanha em São Paulo, fez lembrar que os povos indígenas foram, numericamente falando, as grandes vítimas da ditadura militar – e a Comissão Nacional da Verdade, que entregou seu relatório final em dezembro, não esteve à altura de reconstituir de todo o passado genocida e etnocida desse regime autoritário.

comissão verdade sp povos indígenas

CEV SP. Timoteo Popygua, Danilo Morcelli, Dep. Est. Adriano Diogo, Benedito Prezia. Foto Fabio Weintraub

Passamos para a retrospectiva da rede, com as ligações para as notícias individualizadas. Divulgamos e estivemos presentes em eventos dos povos indígenas:

  • O Seminário/Jornada Índio Caboclo Marcelino, que ocorreu no final de setembro nas aldeias Tupinambá em Olivença, território indígena de Ilhéus;
  • O ato O Jaraguá é Guarani, da Comissão Guarani Yvyrupa, em São Paulo em julho, diante da Justiça Federal, protestando contra ação de reintegração de posse que afeta a menor TI do país, a do Jaraguá – na foto, os índios pedem que o Ministro da Justiça assine a demarcação das terras;
  • O Grande Ato da Resistência Guarani SP: Demarcação Já!, em São Paulo em abril; os Guarani pararam a Paulista e a Consolação, descendo do Vão do MASP até a Praça Roosevelt; nesse momento, arrecadaram canetas para que o Ministro da Justiça pudesse cumprir seu dever na demarcação da TI;
  • O lançamento da Campanha de Resistência Guarani SP em abril no Pátio do Colégio, em São Paulo;
  • Divulgação e adesão, em abril, ao parecer da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil contra a minuta do Ministério da Justiça com novas regras para os processos demarcatórios;
Grande Ato Resistência Guarani SP. Foto Pádua Fernandes

Grande Ato Resistência Guarani SP. Foto Pádua Fernandes

Divulgamos também:

Ato Tupinambá preparação Seminário Caboclo Marcelino.

Ato Tupinambá. Preparação do Seminário Caboclo Marcelino. Foto Pádua Fernandes

Na rede de eventos ligados à campanha, que se concentraram em abril, mas que ainda não se encerraram (em razão da exposição de Veronica Stigger e do filme de Nayana Fernandez), houve atos de variada natureza, o que era nossa intenção. Os direitos e terras indígenas são questões importantes demais para que sejam deixadas nas mãos dos chamados especialistas. Artistas, professores e ativistas de diferentes áreas engajaram-se nessas questões, o que se reflete abaixo:

 

ACADEMIA

Orlando Villas Bôas

Orlando Villas Bôas

  • Georgetown University: Marília Librandi-Rocha, da Stanford University, apresentou o trabalho “A Carta Guarani Kaiowá, o Direito a uma Literatura com Terra, e a cosmo-poética indianista nos experimentos literários contemporâneos (de Josely Viana Baptista, André Vallias, Ana Miranda e Marlui Miranda)” no III Colóquio Internacional sobre literatura brasileira contemporânea, em Washington.
  • PUC Goiás e Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA): Semana dos Povos Indígenas e a IV Jornada de Arqueologia no Cerrado, em abril em Goiânia, com o tema Etnoarqueologia e Povos Indígenas.
  • UFSC: O PET/Direito organizou o evento “Direito e ditadura: 50 anos do golpe“, com a palestra “Povos indígenas e segurança nacional”, por Pádua Fernandes, com a mediação de Marcel Soares de Souza, em abril em Florianópolis.
  • Unicamp: “O Momento Anti-Indígena”, em abril, com Henyo Trindade Barretto Filho e Márcio Meira, no Seminário Permanente do CPEI (Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena da Unicamp), coordenado pelo professor José Maurício Arruti, em parceria com o Departamento de Antropologia da Unicamp.
  • Unicamp: “Espaços de resistência e lutas desde a perspectiva das mulheres indígenas Mayas da Guatemala”, por Kenia Herrera Rivera, em abril, no Seminário Permanente do CPEI (Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena da Unicamp), coordenado pelo professor José Maurício Arruti, em parceria com o Departamento de Antropologia da Unicamp.
  • Unila (Universidade Federal da integração Latino-Americana): em abril, palestra e debate televisionado “Violações contra os Povos Indígenas no Oeste do Paraná”, com o indigenista Diogo de Oliveira (PPGAS/UFSC e Funai/MJ) e os mediadores Renan Pinna e Barbara Arisi (Unila).
  • Universidade Mackenzie (São Paulo): Colóquio da Semana Villas Bôas, em abril, com Orlando Villas Bôas Filho e Pádua Fernandes.
  • Universidade Mackenzie (Campinas): Colóquio 50 Anos do Golpe Militar, em março, com a palestra “As questões indígenas durante a ditadura militar“, por Pádua Fernandes.
  • USP: Em abril, na Faculdade de Ciências Sociais, “O histórico das lutas Guarani Kaiowá”, palestra do cacique Ládio Verón.

ARTES  E EXPOSIÇÕES

CAMINHADA

Foto de Eduardo Sterzi

Foto de Eduardo Sterzi

  • Caminhada Índio é Nós no dezenove de abril, com o Teatro Oficina, o Movimento Parque Augusta (Cláudia Medeiros, o Dan Scan, Breno Castro Alves, Caio Pinheiro, entre outros), os organizadores por Índio é Nós, entre eles Fabio Weintraub, Laura Daviña, Chico Daviña, Lilian Garrafa, Eduardo Sterzi, Veronica Stigger, Pádua Fernandes e outros. A Caminhada partiu do vão do MASP, sempre com música capitaneada pelos integrantes do Oficina (especialmente pela voz de Letícia Coura) para o  Cemitério da Consolação, onde se fez um ritual para Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Do Cemitério, os participantes desceram a Consolação em direção ao Parque Augusta, em que entraram. O Parque ameaçado pela especulação imobiliária foi abraçado pelos participantes. Os integrantes do Movimento Parque Augusta lá ficaram, e a Caminhada prosseguiu em direção ao Teatro Oficina, onde ela terminou com danças e música: o Choros 10 de Villa-Lobos e cantos antropofágicos (ver abaixo, em Teatro).

CINEMA E VÍDEO

Casé Angatu

Casé Angatu

CONVERSASíndio é nós afro

  • Com o Grupo Cultural AfroReggae, o “Papo de Índio” com o antropólogo e fotógrafo Orlando Calheiros e a psicóloga Vera Rodrigues, no Centro Cultural Waly Salomão, em Vigário Geral, Rio de Janeiro, em maio.

DANÇA

DENÚNCIAS E NOTÍCIAS

INTERNET

  • Participamos de vários tuitaços, como os de dezembro de 2014 com o tópico #PEC215NAO.
  • Participação, em novembro, na blogagem coletiva “Desarquivando o Brasil”, com nossas recomendações para a justiça de transição e o relatório da Comissão Nacional da Verdade.
  • Divulgação da página Justiça aos Tenharim, criada por Sonia Mariza.
CEP 20.000. Beatriz Azevedo e Urutau Guajajara. Foto André Vallias

CEP 20.000. Beatriz Azevedo e Urutau Guajajara. Foto André Vallias

LITERATURA

  • Lançamento, em abril, de “Totem“, poema-livro de André Vallias, publicado pela editora Cultura e Barbárie, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
  • Sarau ÍNDIO É NÓS ABC, organizado pelo Coletivo Tantas Letras!, em São Bernardo do Campo, em abril.
  • CEP 20.000 “Índio é Nós” em abril no Rio de Janeiro, com Beatriz Azevedo, Ivan Cardoso, Numa Ciro, Sergio Cohn, Chacal, Urutau Guajajara, Jodele Larcher, Elke Maravilha, Iara Rennó, Paulo Scott, Teresa Seiblitz e André Vallias.
  • Chuva de Poesia em abril em Ouro Preto com o poema “Totem”, de André Vallias, organizada por Guilherme Mansur e Trupe Tupã.
  • Lançamento, em abril, na abertura paulista da campanha Índio é Nós, do novo número da Revista Poesia Sempre, da Biblioteca Nacional, com o especial organizado por Sergio Cohn sobre poesia ameríndia.
  • Na seção “Indiognai-vos”, tivemos o poema “Índiossincrasias“, de Beatriz Azevedo, com arte de André Vallias; os poemas visuais “Vontade de virar índio” e “Mas que país obtuso“, de Vallias; a tradução de “Vontade de virar índio“, de Kafka, por Vallias; o conto “Mundurucu“, de Beto Vianna; o poema “Papo de índio“, de Chacal; o conto “Abaité, Pascha (A chegada do demônio Catê)“, de Abá.

MÚSICA E TEATRO

  • CEP 20.000 “Índio é Nós” em abril no Rio de Janeiro, com Beatriz Azevedo, Ivan Cardoso, Numa Ciro, Sergio Cohn, Chacal, Urutau Guajajara, Jodele Larcher, Elke Maravilha, Iara Rennó, Paulo Scott, Teresa Seiblitz e André Vallias.
  • Apresentação de Marlui Miranda no lançamento paulista da campanha Índio é Nós.
  • Na seção “Indiognai-vos”, tivemos “Erro de português”, música de Beatriz Azevedo sobre o poema de Oswald de Andrade, gravada em seu novo disco, “AntroPOPhagia Ao Vivo em Nova York”; “Tupi fusão“, do disco “Pau-Brasil” do cantor e compositor Vitor Pirralho.
Zé Celso. Na mesa Índio é Nós, Marta Azevedo e Manuela Carneiro da Cunha.

Zé Celso. Na mesa Índio é Nós, Marta Azevedo e Manuela Carneiro da Cunha.

  • A premiada peça “Recusa“, criada pela Cia Teatro Balagan sobre os índios Piripkura,  voltou a São Paulo em março, depois seguiu em viagem e foi apresentada em cidades de Rondônia e Pará, inclusive Altamira.
  • Presença do Teatro Oficina na Caminhada Índio é Nós no dezenove de abril, que se encerrou nesse Teatro, com José Celso Martinez Corrêa, Letícia Coura, Camila Mota, Sylvia Prado, Nash Laila, Roderick Himeros entre outros. No Teatro, foram cantados e dançados o Choros 10 de Villa-Lobos, “Tupy or not Tupy” de Surubim Feliciano da Paixão e cantos antropofágicos; João Baptista Lago fez um filme com trechos desses momentos.

 

Para 2015, anunciam-se novas batalhas – a escolha da nova Ministra da Agricultura, que anunciou, no Congresso, que se deveria “resolver” a questão indígena (o restante do Ministério não é muito diferente, adverte Bessa Freire), a persistente interinidade da presidência da Funai e o prosseguimento dos empreendimentos ilegais na área energética são sinais de que o governo federal não cumprirá por sua própria vontade o artigo 231 (entre outros…) da Constituição da República, tampouco a Convenção 169 da OIT. Por isso, chamamos novamente para participação neste próximo ano, em que entregaremos a petição Índio é Nós às autoridades federais.