A importante matéria de Guilherme Freitas no caderno Prosa e Verso de O Globo, publicada em 12 de abril de 2014, “O cerco aos índios na ditadura e na democracia”, tratou das investigações dos crimes da ditadura militar contra os povos indígenas (o genocídio sofrido pelos Waimiri-Atroari, massacres dos Ianomâmi, dos Krain-a-Kore, os presídios indígenas, as invasões de terras por garimpeiros, madeireiras etc.) e chegou à situação presente, à “continuidade de dramas dos índios na ditadura e na democracia”.
Sobre as mobilizações de hoje, o jornalista citou o debate no Museu do Índio que ocorreu neste mês no Rio de Janeiro e o lançamento paulista de Índio é nós na Casa do Povo, em 5 de abril, lembrando que

Na ocasião, foi divulgado um abaixo-assinado pela “demarcação das terras indígenas” e “paralisação dos empreendimentos realizados à revelia dos direitos constitucionais desses povos” (manifesto e próximos atos da campanha estão no site <www.indio-eh-nos.eco.br>).

A matéria pode ser lida nesta ligação. Nosso manifesto pode ser assinado nesta outra.
Guilherme Freitas entrevistou três signatários do nosso manifesto, que participaram também do lançamento em São Paulo de Índio é nós: Maria Rita Kehl, que é o membro da Comissão Nacional da Verdade responsável pela apuração dos crimes contra índios e contra camponeses, Marcelo Zelic, colaborador da CNV, vice-presidente do Tortura Nunca Mais-SP e coordenador do projeto Armazém Memória, e a grande antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, que lembrou que “A Constituição de 1988, que proclama seus [dos índios] direitos, está sob constante ameaça de uma fortíssima bancada do agronegócio no Congresso.”
Sem dúvida, essa é uma das principais ameaças contra as quais os povos indígenas estão se mobilizando há tempos. Em 2013, em virtude da movimentação da bancada ruralista em torno da PEC 215, que pretende tirar a competência de demarcação das terras indígenas do Executivo, ocorreram diversas reações dos índios: a ocupação do Congresso Nacional em abril, que serviu de vanguarda e exemplo para as Jornadas de Junho, e os diversos eventos de outubro nos 25 anos da Constituição vigente, como a ocupação do Monumento às Bandeiras em São Paulo.
É necessário que os não índios juntem suas vozes no mesmo sentido. Com esse fim, foi criada esta campanha, não a partir de pessoas que pudessem dizer “índios somos nós”, mas que pudessem se identificar com o problema: “índio é nós“. Pois se trata de uma questão que ultrapassa a solidariedade e chega à identificação, e não só em razão da presença das culturas indígenas na formação nacional: como falou Maria Rita Kehl no lançamento do dia 5 de abril, todos nós, índios e não índios, estamos perdendo os “lugares onde realizamos nossas práticas” (em guarani, tekoha).
Ademais, não podemos ficar inertes diante da perpetração de crimes contra a humanidade no Brasil, que é o que ocorreu e continua a acontecer com esses povos.

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